O faturamento da semana em que o app só empata
Os valores em reais desta página foram calculados com a pesquisa ANP de 04/10 a 10/10/2026. A ANP publicou pesquisa mais recente desde então, e a calculadora já usa a semana atual e aceita o preço do seu posto.
Rodando 1.000 km numa semana, com custo de R$ 1,05 por quilômetro e 25% de taxa da plataforma, o faturamento bruto que apenas empata é R$ 1.400. Abaixo disso a semana fecha no vermelho, e o aplicativo continua depositando dinheiro na conta como se nada estivesse errado.
A razão é que o custo da semana não depende do bruto: rodar 1.000 km custa R$ 1.050, faturando R$ 1.200 ou R$ 3.000. A plataforma, sim, cobra percentual. Então o bruto tem de cobrir primeiro os R$ 1.050 e depois a fatia da taxa.
A calculadora de lucro líquido do motorista de aplicativo faz essa conta com cinco campos: bruto, quilômetros, custo por quilômetro, taxa e horas trabalhadas.
A mesma quilometragem, cinco faturamentos
Com os mesmos 1.000 km e as mesmas 50 horas, a semana muda assim:
- Bruto de R$ 1.200: taxa de R$ 300, prejuízo de R$ 150, perda de R$ 3 por hora
- Bruto de R$ 1.600: taxa de R$ 400, lucro de R$ 150, R$ 3 por hora
- Bruto de R$ 2.000: taxa de R$ 500, lucro de R$ 450, R$ 9 por hora
- Bruto de R$ 2.400: taxa de R$ 600, lucro de R$ 750, R$ 15 por hora
- Bruto de R$ 3.000: taxa de R$ 750, lucro de R$ 1.200, R$ 24 por hora
A linha do custo não se mexe em nenhuma delas. Quem olha só o depósito vê a primeira linha como uma semana fraca; na verdade ela é uma semana em que o motorista pagou para trabalhar.
Por que o bruto por hora engana
No cenário do meio, o bruto por hora é R$ 40 e o líquido por hora é R$ 9. A diferença não é só a taxa: é que cada hora rodando consome R$ 21 de custo do carro.
O número que serve para comparar com qualquer outro trabalho é o de R$ 9, e ele só aparece depois de descontar a taxa e o custo. A margem da semana fica em 22,5% do bruto, e o líquido por quilômetro, em R$ 0,45.
O campo que decide tudo é o seu custo por km
O valor de R$ 1,05 por quilômetro é um ponto de partida do formulário, não uma medida do seu carro. Ele é o campo mais importante da conta e o que menos gente preenche com dado próprio.
Para achar o seu, some combustível, pneus, manutenção, depreciação, seguro e documentação e divida pela quilometragem do período: é o que faz a calculadora de custo por km real. Quem roda muito tem custo por quilômetro menor, porque o bloco fixo se dilui, e isso muda o bruto de equilíbrio da semana.
A taxa da plataforma também é campo em revisão
O percentual de 25% abre marcado como em revisão, e é importante saber por quê. Procuramos percentual estável e verificável nas páginas oficiais das plataformas, no IPEA, no IBGE e no CADE, e nenhuma publica.
Então o site não crava o número. O seu percentual efetivo sai de uma divisão que só você pode fazer: o que você recebeu dividido pelo que o passageiro pagou, no extrato de uma semana cheia. Costuma ser diferente do que se fala nos grupos, e costuma variar por cidade e por horário.
O que fazer com o bruto de equilíbrio
Anote dois números por semana: quilômetros rodados e bruto faturado. Compare o bruto com o seu ponto de equilíbrio e você terá, em segundos, a resposta que o aplicativo não dá.
É também o jeito de avaliar promoção e meta da plataforma. Uma meta que paga um bônus mas exige rodar mais quilômetros pode empurrar o custo acima do bônus. Com o ponto de equilíbrio na mão, essa conta deixa de ser intuição.